segunda-feira, 29 de março de 2021

Crescimento de problemas reprodutivos em homens e mulheres em todo mundo preocupa médicos: Substâncias químicas presentes no cotidiano moderno causam crescimento anual de 1% em problemas como aborto espontâneo, disfunção erétil e ocorrência de câncer de testículo, alem de queda da fertilidade total

Quando escuta a expressão “os 1%”, a maioria das pessoas associa aos padrões socioeconômicos e ao 1% das pessoas que detém a maior parte da riqueza ou da renda nos Estados Unidos. Esta é a forma mais comum de uso desta expressão. Mas nós raciocinamos diferente. Nós pensamos que todo o espectro de problemas reprodutivos que afeta os homens está aumentando cerca de 1% ao ano nos países ocidentais. Este “efeito 1%” inclui as taxas de contagem decrescente de esperma, os níveis decrescentes de testosterona e as taxas crescentes de câncer testicular, bem como um aumento na prevalência da disfunção erétil. 
No lado feminino da equação, as taxas de aborto espontâneo também estão aumentando cerca de 1% ao ano nos EUA, assim como a taxa de barriga de aluguel gestacional. Enquanto isso, a taxa de fertilidade total em todo o mundo vem caindo quase 1% ao ano, de 1960 a 2018.
Quando as pessoas escutam isso, o instinto natural mais frequente é ignorar o assunto, pensando que 1% ao ano não é realmente uma grande coisa. Mas é! Isso soma mais de 10% por década — e mais de 50% ao longo de 50 anos. Quando consideramos que a contagem de espermatozóides diminuiu 50% em apenas 40 anos, como mostrou a meta-análise de Shanna H. Swan publicada em uma edição de 2017 da revista Human Reproduction Update, é difícil negar ou desconsiderar o fato de que isso é alarmante.
Continuemos a raciocinar: onde está a indignação com relação a essa questão? O declínio anual de 1% na saúde reprodutiva é mais rápido do que a taxa de aquecimento global (felizmente!) — e mesmo assim, as pessoas estão revoltadas com o aquecimento global (e com razão), mas não com esses efeitos sobre a saúde reprodutiva. Para colocar em perspectiva o efeito 1%, considere o seguinte: os dados científicos mostram um aumento de 1,1% ao ano, entre 2000 e 2016, no número de crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças. As pessoas estão nervosas quanto a isso, com razão.
Por que as pessoas não ficam igualmente preocupadas com danos reprodutivos em homens e nas mulheres? Talvez seja porque muitos não percebem que essas mudanças preocupantes estão em andamento, ou que elas estejam avançando no mesmo ritmo. Mas todo mundo deveria se preocupar. Afinal, essas mudanças reprodutivas dificilmente podem ser uma coincidência, pois são demasiado simultâneas para que fosse coincidência.
A verdade é que esses efeitos na saúde reprodutiva estão interligados. E, em grande parte, são gerados pela mesma causa: a presença de substâncias químicas que alteram os hormônios (também conhecidos como desreguladores endócrinos ou EDCs) em nosso cotidiano. Essas substâncias químicas capazes de sequestrar hormônios, que incluem ftalatos, bisfenol A e retardantes de chamas entre outras, tornaram-se onipresentes na vida moderna. Estão nas garrafas de água e nas embalagens de alimentos, nos aparelhos eletrônicos, nos produtos de higiene pessoal, nos materiais de limpeza e em vários outros itens que usamos regularmente. E começaram a ser produzidos em números crescentes depois de 1950, quando teve início o declínio da fertilidade e da contagem de espermatozoides.
A exposição a esses produtos químicos é particularmente problemática durante a gravidez, porque o que acontece durante esse período não acaba ali. Na verdade, a exposição de uma futura mãe a produtos químicos tóxicos no ar que ela respira, na água que bebe, nos alimentos que consome e nos produtos que passa na pele podem entrar em seu corpo (e, portanto, no feto), e influenciar o desenvolvimento reprodutivo de seu bebê. Isso é especialmente válido no início da gravidez — momento chamado de janela de programação fetal —, principalmente para bebês do sexo masculino. 
Por exemplo, se uma mulher é exposta a substâncias químicas que bloqueiam a ação dos andrógenos durante o primeiro trimestre da gravidez, isso pode afetar o desenvolvimento reprodutivo do feto masculino de vários maneiras. Pode, por exemplo, resultar em um encurtamento da distância anogenital (AGD) — a extensão que vai desde o ânus à base do pênis — o que é bem significativo, porque a pesquisa mostrou que uma AGD mais curta está correlacionada a um pênis menor e, no adulto, um menor contagem de esperma. 
Além disso, uma desregulação pré-natal do sistema hormonal masculino pode resultar em níveis reduzidos de testosterona e no aumento do risco de um menino ter testículos não descidos (criptorquidia) ou um tipo específico de pênis malformado (hipospádia) ao nascer. E, se um menino nascer com esses defeitos genitais, ele terá um risco maior de possuir baixa contagem de esperma e, quando adulto, de desenvolver câncer nos testículos. 
Este conjunto de problemas reprodutivos correlacionados em homens e mulheres traz enormes desafios para a população mundial. Existe o desafio óbvio relacionado a questões de fertilidade e do declínio da taxa de natalidade. Mas a desregulação endócrina também está envolvida no no aumento das taxas de doenças autoimunes, e também na crescente epidemia de obesidade e síndrome metabólica (condições que aumentam o risco de doenças cardíacas, derrame e diabetes tipo 2). Alguns desses efeitos reprodutivos estão até mesmo associados a um risco maior de mortes prematuras. 
Para dizer o mínimo, essas questões são mais importantes do que aquele “1%” do qual as pessoas costumam prestar atenção, o que significa: precisamos mudar nosso foco coletivo. É hora de colocar como prioridade a exigência de que produtos químicos que perturbam o sistema endócrino, utilizados em produtos de uso diário, sejam substituídos por produtos químicos que não afetem nossos hormônios e não contaminem o meio ambiente.
Também é hora de adotar metodologias de testagem melhores e ações regulatórias para assegurar que apenas produtos químicos seguros possam entrar no mercado, e em nossos corpos. Em outras palavras: precisamos parar de usar uns aos outros, e também nossos filhos não nascidos, como ratos de laboratório para exposições aos EDC. A saúde e o futuro da raça humana realmente dependem disso.

Crédito: KTS Images/Envato Elements

Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a visão dos editores de Scientific American Brasil.
*Por Shanna H. Swan (professora de Medicina Ambiental e Saúde Pública na Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai) e Stacey Colino (escritora especializado em questões ambientais e de saúde), autoras do livro “COUNT DOWN: How Our Modern World is Threatment Sperm Counts, Altering Masculino and Female Productive Development, and Risk the Future of the Human Race”. 
Publicado em 17/03/2021

segunda-feira, 15 de março de 2021

Fiocruz recebe primeiro registro da Anvisa para vacina Covid-19 produzida no Brasil

Na manhã de sexta-feira (12/3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro definitivo da vacina Covid-19 Fiocruz. Com isso, a Fiocruz passa a ser a detentora do primeiro registro de uma vacina covid-19 produzida no país e incorpora ao seu portfolio de produção a décima primeira vacina a ser fornecida para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Com o registro, a expectativa é de que a Anvisa autorize a liberação dos primeiros lotes até este domingo (14/3) para que, na próxima semana, a Fiocruz já possa entregar ao PNI o primeiro milhão de vacinas Covid-19 produzidas pela instituição.
“Apenas seis meses após a assinatura do Contrato de Encomenda Tecnológica, já iniciamos a produção de uma vacina contra a Covid-19, baseada em uma das tecnologias mais avançadas no momento, e obtivemos o seu registro para ampla distribuição no país. A urgência que a gravidade dessa pandemia nos impõe fez com que todos os envolvidos trabalhassem incansavelmente e pudessem realizar em meses um processo que, normalmente, dura anos. Isso também não seria possível sem todo o apoio técnico da Anvisa em cada etapa do processo de submissão contínua. Trata-se de um dia histórico para a Fiocruz e para o Sistema Único de Saúde”, destaca a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.
Na sexta-feira (12/3), foi iniciada também uma segunda linha de produção da vacina, o que aumenta a capacidade produtiva do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). A expectativa é chegar até o final do mês com uma produção de cerca de um milhão de doses por dia.
Para Mauricio Zuma, diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, “o registro definitivo da vacina Covid-19 é resultado de intenso trabalho, em estreita parceria com a Anvisa, desde junho do ano passado, por meio de reuniões e envio de informações de forma contínua para que tudo pudesse acontecer com a maior celeridade possível. Com isso, a partir da próxima semana passaremos a entregar a vacina processada internamente ao Programa Nacional de Imunizações, contribuindo definitivamente com o combate à pandemia no país”.
Uma das vantagens de um registro definitivo para a vacina é a possibilidade de uma imunização em massa no país, ampliando o público que passa a poder tomar a vacina para adultos maiores de 18 anos, conforme indicado na bula. Com a autorização para uso emergencial, a vacina ficava restrita a públicos pré-determinados. Vale destacar que o registro emergencial continua valendo para a vacinas prontas importadas do Instituto Serum, na Índia.
“Uma vacina registrada pela Agência, com uma etapa de produção já realizada no Brasil, representa maior autonomia ao país e acesso à vacina”, esclarece o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, durante o comunicado transmitido pela Agência.
Como produtora da vacina no Brasil, a Fiocruz passa a ter também toda a responsabilidade técnica sobre ela, como já ocorre com as demais vacinas produzidas pela instituição e distribuídas para o SUS. A segurança da vacina foi amplamente estudada em ensaios clínicos de fase I, II e III, tendo seus dados publicados em revistas científicas reconhecidas internacionalmente. Sua segurança tem sido reiterada também por diversas agências regulatórias internacionais.
Na quinta-feira (11/3), a agência regulatória da União Europeia (European Medicines Agency – EMA) emitiu comunicado sobre a suspensão temporária da vacinação, adotada nos últimos dias por alguns países da Europa. A agência disse estar investigando os casos relatados, mas afirma não haver indicação para suspensão da administração da vacina. Segundo Agência, não há nada, até o momento, que indique uma relação desses eventos com a vacina, uma vez que eles não constam como efeitos colaterais esperados da vacina e o número de casos de trombose também não têm aumentado com a vacinação.
Representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Harris também se posicionou, nesta sexta-feira (12/3), em entrevista sobre o tema ao afirmar que a vacina da AstraZeneca é excelente. Segundo Harris, nenhuma relação causal foi demonstrada entre a vacina e relatos de coágulos sanguíneos, não havendo, portanto, motivos para suspender a vacinação.


terça-feira, 2 de março de 2021

Física Yvonne Primerano Mascarenhas é primeira mulher a receber prêmio da Sociedade Brasileira de Física: pesquisadora atuou em instituições como Harvard e e Princeton, e foi elemento chave para o desenvolvimento da pesquisa em cristalografia no Brasil

A Sociedade Brasileira de Física anunciou que Yvonne Primerano Mascarenhas foi a ganhadora do Prêmio Joaquim da Costa Ribeiro de 2021. Segundo o anúncio, ela foi escolhida “por suas atividades de pesquisa pioneiras em cristalografia de raios X e por iniciar uma sólida comunidade científica nesta área no Brasil”. Outorgado pela instituição desde 2019,o prêmio Joaquim da Costa Ribeiro é uma distinção que foca especificamente a contribuição de cientistas para a área de física da matéria condensada e de materiais, ao longo da carreira. Mascarenhas é a primeira mulher a ganhar a láurea.
Yvonne Primerano Mascarenhas nasceu em Pederneiras, interior de São Paulo, em 1931. Após mudar-se para o Rio de Janeiro com a família, formou-se Bacharel em Química em 1954 pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Em 1956 mudou-se para São Carlos–SP e, junto com seu esposo, Sergio Mascarenhas, abraçou o desafio de tornar a cidade um centro de referência internacional em pesquisa de Materiais. Como a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo em São Carlos, viria a desempenhar um papel fundamental na atração de outros pesquisadores brasileiros e estrangeiros de altíssimo nível para a cidade, tendo também atuado como pivô na fundação do então Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC). Em 1959, recebeu uma bolsa de estudos Fullbright e passou dois anos trabalhando no laboratório de G. A. Jeffrey e B. Craven, na Universidade de Pittsburgh, EUA.
Era o início de sua paixão pela Cristalografia e um importante passo para a introdução e consolidação dessa área de pesquisa no Brasil. Ela foi fundadora e primeira presidente da Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr), onde também atuou em outras funções, e trabalhou em instituições de prestígio como Harvard, Princeton e Birkbeck College, e participou do grupo responsável pelo desenvolvimento do banco de dados cristalográficos de Cambridge (CCDC).
Yvonne Mascarenhas supervisionou cerca de 40 estudantes de mestrado e doutorado, publicou aproximadamente 200 artigos indexados e produziu numerosas contribuições em conferências e simpósios. Seu grupo de pesquisa se tornou um dos centros mais importantes em Cristalografia Química e Biologia Estrutural da América do Sul. Entre seus feitos, destaca-se a colaboração que resultou na determinação da estrutura cristalina da oxitocina (Science, 1986) e de toxinas de veneno de cobras (Eur. Biophys. J., 1992). Mãe de quatro filhos, Yvonne foi apontada pela SBF como “não somente um ícone da ciência brasileira, mas um motivo de grande orgulho e exemplo para suas colegas, mulheres, cientistas.”
O prêmio será entregue em sessão solene durante o Encontro de Outono da Sociedade Brasileira de Física, entre 21 e 25 de junho. http://sbfisica.org.br/~eosbf/2021/index.php/pt/

A física Yvonne Mascarenhas é a primeira mulher a receber o prêmio


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Como podemos saber se um paciente em coma está consciente? O neurologista Steven Laureys procura por sinais de consciência em pacientes que não respondem a estímulos

Médicos de toda a Europa enviam seus pacientes aparentemente inconscientes para Laureys, um clínico e pesquisador da Universidade de Lige, para que sejam realizados exames mais abrangentes. A fim de fornecer o cuidado adequado aos enfermos, é necessário que médicos e familiares saibam se os pacientes têm algum grau de consciência. Ao mesmo tempo, Laureys, a partir dos doentes, aumenta seu entendimento sobre o assunto. 
É suficientemente difícil definir a palavra “vida”, e é ainda mais complicado definir a vida “consciente”. Não há uma definição única. Mas é claro que, na prática clínica, precisamos de critérios não ambíguos. Nesse cenário, todos precisam saber o que queremos dizer com um paciente “inconsciente”. A consciência não é “tudo ou nada”. Podemos estar mais ou menos despertos, mais ou menos conscientes. A consciência é frequentemente subestimada; muito mais do que pensamos acontece no cérebro de recém-nascidos, animais e pacientes em coma.
Há várias maneiras de fazer isso, e a tecnologia que temos à nossa disposição é crucial nesse sentido. Por exemplo, sem as técnicas de neuroimagem, teríamos muito menos conhecimentos na área. Estudamos os cérebros danificados de pessoas que perderam, pelo menos parcialmente, a consciência. Examinamos o que acontece durante o sono profundo, quando as pessoas perdem temporariamente a consciência. Também estamos trabalhando com monges budistas porque sabemos que a meditação pode provocar alterações no cérebro; conexões importantes na cadeia que forma a consciência apresentam mudanças em sua atividade. A hipnose e a anestesia também podem nos ensinar muito sobre a consciência. Em Lige, os cirurgiões operam rotineiramente pacientes sob hipnose (incluindo a rainha Fabiola, da Bélgica). Assim como ocorre com a anestesia, as conexões entre certas áreas do cérebro são menos ativas sob hipnose. E, finalmente, estamos curiosos para entender o que as experiências de quase morte podem nos dizer sobre a consciência. O que significa algumas pessoas sentirem que estão deixando seus corpos, enquanto outras se sentem subitamente entusiasmadas?
Duas redes diferentes parecem desempenhar esse papel: a rede externa, ou sensorial, e a rede interna de autoconsciência. A primeira é importante para a percepção de todos os estímulos sensoriais. Para ouvir, precisamos não apenas das orelhas e do córtex auditivo, mas também dessa rede externa, que provavelmente existe em ambos os hemisférios do cérebro – na camada mais externa do córtex pré-frontal e mais atrás, nos lóbulos parietal-temporais. Nossa rede de consciência interna, por outro lado, tem a ver com nossa imaginação – isto é, nossa voz interna. Essa rede está localizada no interior do córtex cingulado e no pré-cuneo. Para que tenhamos consciência de nossos pensamentos, essa rede deve trocar informações com o tálamo.
O que acontece com uma pessoa em coma?
Seu cérebro está tão danificado que nenhuma dessas redes funciona corretamente. Este mau funcionamento pode ocorrer como resultado de ferimentos graves, hemorragia cerebral, parada cardíaca ou ataque cardíaco. Um coma dura alguns dias ou semanas no máximo. Assim que os pacientes abrem os olhos, é dito que “despertam” do coma. Isso não significa, no entanto, que a pessoa esteja consciente. A maioria dos pacientes que sai do coma logo se recupera. Mas uma minoria vai sucumbir à morte cerebral; um cérebro morto está destruído e não pode se recuperar. Mas mesmo assim, alguns pacientes sem morte cerebral nunca se recuperam do coma também.
Como sabemos se um paciente que despertou do coma está consciente?
Para isso usamos a escala de coma de Glasgow. O médico diz: “Aperte minha mão”. Ou observamos se o paciente responde a sons ou toques. Se os pacientes não respondem, a condição costuma ser chamada de “vegetativa”; eles parecem estar inconscientes. Se o paciente responde, mas não consegue se comunicar, categorizamos a consciência como “mínima”. Tais pacientes podem, por exemplo, seguir uma pessoa com os olhos ou responder a perguntas simples. Se beliscarmos a mão deles, eles a afastarão. Mas esses sinais de consciência nem sempre são evidentes ou vistos em todos os pacientes. Um paciente que acorda de um coma também pode desenvolver a chamada Síndrome do encarceramento, ela está completamente consciente mas paralisada e incapaz de se comunicar, exceto através do piscar de olhos.
Se não houver resposta aos comandos, sons ou estímulos de dor, isso não significa necessariamente que o paciente está inconsciente. Pode ser que o paciente não queira responder ao comando ou que as regiões do seu cérebro que processam a linguagem estejam tão danificadas que a pessoa simplesmente não compreenda. Posteriormente, há casos em que o cérebro diz “mova-se!”, mas as vias neurais motoras foram cortadas. Os familiares do paciente são frequentemente mais rápidos do que os médicos para reconhecer se ele exibe consciência. Eles podem perceber mudanças sutis na expressão facial ou perceber movimentos leves que escapam à atenção do médico.
Pacientes de toda a Europa são trazidos para realizar testes na Universidade de Lige. Como você determina se eles estão conscientes?
Bem, é claro, o médico dirá: “Aperte minha mão” – mas desta vez enquanto o paciente está realizando exames de neuroimagem. Se o córtex motor é ativado, sabemos que o paciente ouviu e entendeu e, portanto, está consciente. Também queremos determinar as chances de recuperação e que medidas o médico ou a família do paciente podem tomar. Com os diferentes exames de neuroimagem, posso descobrir onde o dano cerebral está localizado e quais conexões ainda estão intactas. Esta informação diz aos membros da família as chances de recuperação. Se os resultados mostrarem que não há esperança alguma de melhora, serão discutidos tópicos difíceis com a família, como opções de eutanásia. Eventualmente nos deparamos com muito mais atividade cerebral do que o previsto, e então podemos iniciar um tratamento voltado para a reabilitação.

Anouk Bercht


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Dia da Internet Segura

Hoje é o dia da Internet segura ou Safer Internet Day! 

De acordo com a SaferNet, esse dia foi criado pela Rede Insafe na Europa e reúne atualmente mais de 140 países para mobilizar usuários e instituições em torno da data e estimular um uso livre e seguro da Internet.

🔐Mas vocês sabem como usar a Internet de forma segura?

Confira algumas dicas no post que montamos para vocês!

Fontes:



 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Produtos a base de cannabis são eficazes para reduzir sintomas de mal de Parkinson: em estudo na Alemanha, 54% dos indivíduos pesquisados relataram melhoras em problemas que variaram da dor física à depressão.

Pacientes que sofrem de mal de Parkinson relataram benefícios clínicos obtidos a partir do uso da cannabis medicinal. É o que diz um estudo feito na Alemanha e publicado na revista Journal of Parkinson ‘s Disease. Segundos os dados do estudo, cerca de 8% dos pacientes com Parkinson avaliados relataram o uso de produtos com cannabis. Dentre estes usuários, 54% relataram ter sentido benefícios clínicos.
Na Alemanha, os produtos medicinais contendo tetrahidrocanabinol (THC), o principal composto psicoativo da cannabis, podem ser prescritos para pacientes que não obtiveram benefícios de outras formas de terapia, ou não puderam se submeter a elas. Espera-se que a cannabis possa proporcionar algum alívio em sintomas que se mostram incapacitantes. Já o Canabidiol (CDB), outras substância presente na cannabis, está disponível para ser comprado nas farmácias e pela internet sem necessidade de receita. 
O estudo foi liderado por Carsten Buhmann, da Universidade do Centro Médico Hamburg-Eppendorf, na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Ele explica que o uso medicinal da cannabis medicinal foi aprovado legalmente no país em 2017, para pacientes que tenham sido severamente atingidos por alguma doença porém cujos sintomas tenham se mostrado resistentes à terapia, entre outros critérios. Alguns pacientes com mal de Parkinson preenchem os requisitos estabelecidos para se enquadrarem no grupo. “Mas existem poucos dados sobre qual tipo de canabinoide usar, qual a via de administração é melhor para cada paciente com Parkinson, e quais os sintomas que podem se beneficiar. Também não temos informações sobre o quanto a comunidade de pacientes com Parkinson está informada sobre o uso da cannabis medicinal, se eles já tentaram usar a cannabis e, se usaram, com qual resultado”, diz.
Os estudiosos quiseram avaliar as percepções dos pacientes sobre o uso medicinal da cannabis, além de avaliar as experiências de pacientes que já consumiram esses produtos. Para isso, empreenderam uma pesquisa transversal de âmbito nacional, entre membros da Associação de Parkinson Alemã. Trata-se do maior agrupamento de pacientes de Parkinson em países de língua alemã, com aproximadamente 21 mil membros. Questionários foram enviados em abril de 2019 aos membros da associação através da revista da organização, e também foram distribuídos nas clínicas dos pesquisadores. 
Cerca de 1.300 questionários foram analisados. Os resultados mostraram que o interesse da comunidade com Parkinson pela cannabis medicinal era alto, mas o conhecimento sobre diferentes tipos de produtos era limitado. Entre os que responderam ao questionário, 51% estavam cientes da legalidade da cannabis medicinal, e 28% estavam cientes das diversas vias de administração (a inalação e a administração oral), mas somente 9% estavam cientes da diferença entre THC e CBD. 
Mais de 8% dos pacientes já utilizavam canabinoides e mais da metade desses usuários (54%) relataram efeitos benéficos. Mais de 40% dos usuários relataram que as substâncias ajudavam a administrar a dor e as câimbras musculares, e mais de 20% dos usuários relataram redução de problemas como rigidez (acinesia), frio, tremores, depressão, ansiedade e síndrome das pernas inquietas. Os pacientes relataram que produtos de cannabis que eram inalados e que continham THC eram mais eficientes no tratamento de rigidez do que produtos orais que contêm CBD, mas foram um pouco menos bem tolerados. 
Os pacientes que utilizam cannabis tendem a ser mais jovens, viver em cidades maiores e ter mais conhecimentos dos aspectos legais e clínicos da cannabis medicinal. E 65% dos não-usuários estavam interessados no uso da cannabis medicinal, mas a falta de conhecimento e o medo dos efeitos colaterais foram relatados como as principais razões para não tentar. 
“Nossos dados confirmam que pacientes com Parkinson possuem um grande interesse no tratamento com cannabis medicinal, mas falta conhecimento sobre como consumir e, especialmente, as diferenças entre THC e CBD”, nota Buhmann. “Os médicos devem considerar esses aspectos quando aconselham seus pacientes sobre o tratamento com cannabis medicinal. Os dados relatados aqui podem ajudar os médicos a decidir quais pacientes poderiam se beneficiar, quais sintomas podem ser endereçados, e qual tipo de canabinoide e rota de administração pode ser adequada”. 
“O consumo da cannabis pode estar relacionado a um efeito placebo devido a alta expectativa dos pacientes e o condicionamento, mas mesmo dessa maneira pode ser considerado como um efeito terapêutico. Deve ser enfatizado, entretanto, que nossas descobertas são baseadas em relatos de pacientes subjetivos, e que estudos clínicos apropriados urgentes são necessários ”, concluiu. 


                                              Rick Proctor/Unsplash

Publicado em 29/01/2021
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