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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Biópsia que procura células com câncer no sangue é testada em SP

Um simples exame de sangue poderá, no futuro, ajudar a diagnosticar um câncer, definir o melhor tratamento para cada paciente e acompanhar a resposta à terapia.

Essa é promessa da chamada biópsia líquida, que analisa as células tumorais que circulam no sangue.

A área ganhou mais atenção nos últimos anos graças às novas tecnologias que permitem encontrar e capturar essas células, que são raras – há cerca de uma célula tumoral em 1 bilhão de células sanguíneas normais.

No país, o primeiro estudo dessas células está sendo conduzido no A.C. Camargo Câncer Center, em São Paulo.

A pesquisa já começou a colher o sangue de 230 pacientes com câncer avançado de pulmão, pâncreas e colorretal para comparar as amostras com as de pessoas sem a doença. O objetivo é analisar essas células antes e depois do início do tratamento.

“Essa célula tumoral no sangue pode ser o espelho do tumor, com a vantagem de não precisar ficar fazendo biópsia no paciente”, diz Marcello Fanelli, diretor de oncologia clínica do A.C.Camargo.

Ele explica que as células tumorais podem aparecer na corrente sanguínea em tumores em estágio inicial, mas tendem a ser mais numerosas nos casos avançados.

As aplicações podem ser muitas, mas Fernando Soares, diretor de anatomia patológica do A.C. Camargo e líder do estudo, acredita que o método poderá ser mais útil para monitorar a resposta terapêutica do paciente.

“Poderíamos acompanhar a evolução do paciente só pelo exame de sangue, à medida que os níveis de células tumorais caem ou sobem”, diz Ludmilla Domingos Chinen, bioquímica e pesquisadora do hospital.

O teste seria menos danoso do que exames de imagem com radiação e, no futuro, poderia até ser mais barato.


Soares diz que outra aplicação é o estudo da biologia dos tumores por meio das características das células, o que pode levar a um tratamento mais personalizado.

“Se pudermos classificá-las, poderemos dizer quais tumores respondem aos diferentes tratamentos”, diz Shyamala Maheswaran, professora do Hospital Geral de Massachusetts, da Escola Médica de Harvard. Ela esteve nesta semana em São Paulo em um simpósio de patologia.

MÉTODOS – Maheswaran e colegas desenvolveram um microchip que permite separar essas células. Os cientistas já contam com o apoio da Johnson & Johnson para a manufatura do produto, ainda usado apenas em pesquisas.

Há também formas mais simples, como filtros que separam as células tumorais, em geral maiores, das outras. É esse o método usado no A.C. Camargo.

Mas, para Maheswaran, tamanho não é documento nesse caso, porque as células tumorais são heterogêneas e o filtro pode deixar escapar as pequenas. De qualquer forma, os especialistas concordam que os métodos precisam de mais refinamento.

Para Soares, quando a forma de captura das células for eficiente, a biópsia líquida abrirá um campo amplo, mas junto virão questões éticas.

“Talvez vamos enfrentar dúvidas como se valerá a pena tratar alguém que tenha só recidiva molecular, sem que outros exames mostrem tumor. Vamos fazer mais mal do que bem?”

(Folha Online)

Fonte: Jornal Pequeno (Edição 24,486, Ano 62 – quarta-feira, 14 de agosto de 2013).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Pesquisadores desenvolvem teste para diagnosticar a hepatite C

Doença é silenciosa e ataca o fígado. Não há vacina.
No exame, é preciso apenas furar o dedo e coletar três gotas de sangue.

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, desenvolveram um novo teste para diagnosticar a hepatite C, uma doença silenciosa que ataca o fígado, e não há vacina. Quanto mais cedo for descoberta, melhor para o paciente.

O exame convencional para detectar o vírus é feito a partir de uma amostra de sangue coletada com seringa. O novo teste desenvolvido pela Fiocruz é bem simples. Basta furar o dedo e coletar três gotas de sangue em um papel de filtro. É o mesmo procedimento do teste do pezinho, mais rápido e com menor custo.

As amostras de sangue seco podem esperar até dois meses para serem testadas. “Esse material pode ser coletado em áreas distantes dos grandes centros e encaminhado sem necessidade de refrigeração para o laboratório. Com isso, o teste fica mais fácil de ser realizado”, explica a pesquisadora Livia Melo Villar.

Um milhão e meio de brasileiros já contraíram a hepatite C. Agulhas e alicates compartilhados são as formas mais frequentes de transmissão. Os sintomas são olhos amarelados, urina escura, enjôos, vômito e cansaço. Em 90% dos casos, eles não aparecem.

Quem é portador do vírus demora a começar o tratamento. “Quanto mais cedo a gente identificar e tratar, melhor o prognóstico. Quando já tiver uma força avançada, com cirrose ou câncer no fígado, é muito mais limitado o que a gente pode fazer. A gente não tem que ter medo de fazer o teste”, completa a responsável pelo ambulatório de hepatites virais da Fiocruz Lia Lewis.

A técnica ainda está sendo testada. A expectativa dos pesquisadores é de que ela seja liberada para a população em, no máximo, cinco anos.

Saiba mais: Algumas gotinhas de sangue e pronto

Fonte: Jornal Hoje
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