domingo, 15 de junho de 2014

Copa amplia risco de vírus raro no País se espalhar; entenda

Por Gabriel Francisco Ribeiro

Um vírus considerado “primo distante da dengue” pode desembarcar no Brasil junto aos milhares de turistas que virão ao País acompanhar a Copa do Mundo de 2014. O alerta, feito em estudo do Journal of Virology e replicado em diversos órgãos da imprensa internacional de forma até exagerada com previsões de “epidemia catastrófica” - como o jornal canadense Global News e o britânico International Business Times - é real: o vírus chikungunya, que só tem três casos documentados em território nacional, pode finalmente se alocar no Brasil graças ao Mundial.

Divulgado na prestigiosa publicação especializada em virologia, o estudo que apontou a possibilidade de o vírus, que apresenta sintomas parecidos com a dengue, se espalhar com a Copa do Mundo foi conduzido por um brasileiro. O Dr. Ricardo Lourenço, infectologista do Instituto Oswaldo Cruz, estudou a relação de espécies de mosquitos de toda a América com o vírus para chegar à conclusão de que a possibilidade da doença estabelecer-se no continente é plausível.

“Estudamos três tipos do vírus chikungunya e fomos testar na população da América da família Aedes, da América do Norte ao Sul. O que nós observamos é que os mosquitos daqui são bastante eficientes na transmissão do chikungunya”, explicou ao Terra o Dr. Ricardo Lourenço.

Assim como a dengue, o vírus chikungunya tem como um dos vetores o mosquito Aedes aegypti, encontrado em larga quantidade no Brasil e responsável pelos surtos de dengues no território nacional. A conclusão do estudo de Lourenço causa temor: os mosquitos nacionais são capazes de carregar o vírus chikungunya e de transmitir a doença até cinco vezes mais rapidamente do que a dengue. A Copa, no caso, aumenta a vulnerabilidade do país à doença com a chegada dos turistas internacionais.

“A Copa do Mundo aumenta nossa vulnerabilidade porque você já tem o espaço com o vetor competente, e aí muita gente vem de lugares com transmissão do chikungunya. Então junta tudo isso, você tem primeiramente um país com o mosquito transmissor e em segundo lugar você tem pessoas vindo para a Copa do Mundo neste momento. Aumenta muito a vulnerabilidade e as chances de transmissão”, contou Lourenço.

Especialista minimiza aumento de risco do vírus na Copa do Mundo

Apesar da manifestação expressa em estudo do Dr. Ricardo Lourenço, outros infectologistas não seguem a teoria de que a Copa do Mundo pode ser a responsável direta pela disseminação do chikungunya no Brasil. Para o médico infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Stefan Cunha, autor dos livros Pandemias: a Humanidade em Risco e A História do Século XX Pelas Descobertas da Medicina, o risco da doença se alastrar pelo País já é iminente, com ou sem Mundial.

“A tendência é ele se espalhar mesmo e eventualmente chegar ao Brasil. A gente vai ter uma quantidade grande de turistas aqui e essa quantidade pode estar em uma região antes que tem o chikungunya. Mas a quantidade de turistas que a gente tem entre o Caribe e o Brasil já basta para colocar o País em risco. Não precisa da Copa. acho que isso já é o suficiente. Por isso que eu não sei se a Copa pode aumentar tanto essa ameaça do vírus”, opinou ao Terra  o Dr. Stefan Cunha.

Chikungunya, dengue "mais fraca", nasceu na África, passou por Ásia, Europa e está no Caribe

A história do vírus chikungunya começou no interior da África, em 2004. Muitos infectologistas acreditam que ele foi levado ao litoral do Quênia motivado por uma migração populacional causada pelo fenômeno climático El Niño entre 2002 e 2003. Graças ao Aedes aegypti, a doença se espalhou pela região e rapidamente ganhou força por todo o litoral africano. O vírus foi levado para a Ásia, onde também teve alta incidência na região sudeste do continente (Indonésia e Índia, principalmente).

Da Ásia, turistas europeus que estiveram de passagem pela região levaram o vírus para o Velho Continente. Contudo, como não havia mosquitos Aedes aegypti na região temperada, não houve epidemia na Europa inicialmente. No entanto, uma mutação genética no vírus fez ele se adaptar ao Aedes albopictus, presente na Europa. Uma epidemia do chikungunya chegou a ser documentada na Itália, mas foi controlada pelas autoridades – de acordo com o Lourenço, há ainda epidemias sazonais do vírus na Europa e, com o verão nortista paralelo à Copa do Mundo, aumenta o risco da epidemia vir ao Brasil.

A proximidade do vírus para o Brasil cresceu no fim de 2013. Uma epidemia do chikungunya se alastrou pelas ilhas do Caribe, no que foi registrado como os primeiros casos transmitidos dentro do continente americano. Antes, o Brasil tinha registrado três casos de pessoas que contraíram fora do País, assim como os Estados Unidos documentaram 100, mas em nenhum dos casos aconteceram transferências internas.

As semelhanças do vírus natural da África com a dengue são várias. Além do vetor compartilhado, os sintomas das duas doenças são semelhantes. O chikungunya causa menos mortalidade que seu “primo distante”, mas apresenta uma peculiaridade: dores intensas nas juntas, que incapacitam a pessoa – seu nome, inclusive, é originário do dialeto africano e significa “corpo curvado”.

“O chikungunya causa um quadro de febre parecido com a dengue. Tem febre, mal estar, indisposição, náusea, dor pelo corpo. O que diferencia dele é o comprometimento das articulações. Ele inflama muito, as dores nas juntas são muito importantes. A dor é tão forte que faz andar curvado. O chikungunya não mata tanto como a dengue, mas é incapacitante. A pessoa fica de duas a três semanas em média com dores nas juntas. Causa tanta dor que a pessoa não pode nem trabalhar”, contou o Dr. Stefan Cunha.

Ministério e Anvisa se dizem preparados para riscos; surto de dengue não preocupa

Em contato com o Terra, tanto o Ministério da Saúde quanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostraram confiança na preparação nacional para evitar uma epidemia do chikungunya. Por meio de nota enviada à reportagem, a Anvisa, que acompanhará os desembarques internacionais, salientou que estará “atenta e capacitada” para qualquer demanda do Ministério e que há “planos de contingência prontos para serem acionados para qualquer evento de saúde pública”. No caso do chikungunya, o plano provavelmente seria o bloqueio do vírus, como explica o Dr. Ricardo Lourenço.

“O Ministério da Saúde está preparado para fazer bloqueios, procurar o caso suspeito e bloquear a transmissão. Desde 2009 o Ministério sabe que há epidemia pelo mundo e está se preparando. No Brasil, vários institutos estão preparados para fazer um bloqueio da transmissão, diminuindo drasticamente a possibilidade de epidemia”, explicou o infectologista.

O Ministério, por sua vez, salientou a opinião do médico e lembrou que os únicos três casos registrados no Brasil foram em 2010, todos de estrangeiros que contraíram a doença fora do País. A recente circulação do vírus no Caribe, contudo, criou um alerta maior interno: o Ministério diz ter adotado medidas para preparar o Brasil em caso de identificação do vírus no País – entre elas, “treinamento de médicos para atendimento de casos, preparação de laboratório de referência para realizar o diagnóstico e divulgação de medidas de vigilância para as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde”.

Outra preocupação interna para a Copa do Mundo é referente à dengue. Cidades do sudeste como Campinas, casa das seleções de Portugal e Nigéria, registram graves epidemias. A previsão do Ministério da Saúde é que com a chegada do inverno a incidência de dengue diminua, como ocorre normalmente – 74% a menos, segundo dados da entidade governamental, que diz ter alocado investimentos contra a doença para as cidades-sede. 

Fonte: Terra

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Novo tratamento para hepatite C curou 96% dos pacientes

Um novo medicamento para a hepatite C pode curar mais de 90% dos pacientes infectados com o vírus.


A enorme descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade do Texas (EUA), que testaram um remédio oral em 380 pacientes na Espanha, Alemanha, Inglaterra e nos EUA no ano passado.


Dois estudos foram realizados, um de 12 semanas e um de 24 semanas. Após 12 semanas, 191 de 208 pacientes já não tinham mais hepatite C, e este número aumentou para 165 de 172 pacientes, ou 96%, depois de 24 semanas.

Todos os pacientes tinham hepatite C com genótipo 1, que é o tipo mais difícil de tratar, além de cirrose hepática, o que indica que o vírus estava avançado.

A droga funciona alvejando a proteína que faz com que a hepatite C pare de se replicar. “Eventualmente, o vírus se extingue”, disse o pesquisador Dr. Fred Poordad.


Os únicos efeitos colaterais foram fadiga, dores de cabeça e náuseas.

Grande avanço

A hepatite C é um vírus que pode infectar e causar danos ao fígado. Transmitido pelo sangue ou por fluidos corporais de uma pessoa infectada, é comumente transferido através de agulhas de tatuagem ou entre pessoas que usam drogas compartilhando agulhas.


De 1999 a 2010, foram notificados 307.446 casos de hepatites virais no Brasil, incluindo os cinco tipos da doença. 69.952 casos eram de hepatite C, de acordo com o Ministério da Saúde brasileiro. Do total de casos de hepatite C registrados, 90% foram na região Sudeste e Sul. Este também foi o tipo com mais óbitos – 14.873.


O tratamento atual para a hepatite C pode incluir injeções por um ano, e envolve efeitos colaterais como depressão, cansaço e sensação de mal estar. Também não é seguro para muitas pessoas com cirrose.

Gkikas Magiorkinis, médico consultor em virologia médica da Universidade de Oxford, no Reino Unido, disse que o novo tratamento, que incluiu até pacientes com cirrose, foi um “grande avanço”.

No entanto, o estudo ainda não mostrou se a probabilidade de câncer de fígado cai a longo prazo, se a cirrose é revertida ou se a progressão para insuficiência hepática total é retardada. Só sabemos que o vírus foi embora de vez, o que já é uma excelente notícia.

Charles Gore, do Hepatitis C Trust, disse: “Este é um ponto de viragem. Eu acho que é incrivelmente emocionante termos a oportunidade de eliminar o vírus no Reino Unido, mesmo sem uma vacina”.

Gore disse ainda que, apesar de o estudo envolver apenas o genótipo 1, tratamentos para os genótipos 2 e 3 estão “a caminho” também.

A nova terapia poderia chegar ao Reino Unido ainda este ano. No Brasil, provavelmente teremos que aguardar mais pela novidade. 


Fonte: Hype Science

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Rússia desenvolve vírus capazes de destruir células cancerígenas

O Laboratório de Microbiologia e Virologia da Universidade Estatal de Novosibirsk desenvolveu um novo conjunto de vírus geneticamente modificados para destruir células carcinogênicas, segundo anunciou o chefe da instituição, Pyotr Chumakov. Segundo o pesquisador, todos os testes realizados in vitro e em cobaias animais se mostraram satisfatórios.

A equipe de cientistas russos está lidando com várias classes de vírus, todos não patogênicos, com o objetivo de encontrar curas para casos de câncer de mama, cólon, pulmão e cérebro. O prazo para dar início aos testes pré-clínicos baseados no novo tratamento, de acordo com Chumakov, dependerá das entidades estatais responsáveis pelo controle de medicamentos e métodos terapêuticos. Mas ele acredita que, se tudo der certo, a técnica já estará sendo utilizada normalmente dentro de dez anos.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A era pós-antibiótico

Chegamos a um ponto em que os antibióticos não conseguem combater algumas bactérias. Esses medicamentos já perdem a batalha para dezessete micro-organismos multirresistentes, causando, nos Estados Unidos, mais mortes que a aids. A preocupação de médicos e cientistas em todo o mundo é que, sem o investimento em pesquisas e um plano contra o abuso de medicamentos, podemos voltar, rapidamente, à época em que os antibióticos não existiam.

No inverno de 2007, um homem de origem indiana saiu de sua casa, na Suécia, para passar o mês de dezembro em seu país natal. Cumpria o mesmo ritual todos os anos, mas, dessa vez, a viagem o preocupava. Aos 59 anos e diabético, tinha sofrido vários derrames — e sua saúde poderia se tornar mais frágil no interior da Índia. Poucos dias depois de chegar, ele foi internado na pequena cidade de Ludhiana, com úlceras profundas na pele. Sem condições de tratá-lo, os médicos o encaminharam para a capital, Nova Délhi. Ele foi operado e tratado com antibióticos, mas a doença não cedeu. De volta à Suécia, foi internado na cidade de Örebro, a 160 quilômetros de Estocolmo.
Seus últimos registros são de 1 de abril de 2008, quando a equipe responsável pelos cuidados médicos descobriu em seu corpo uma bactéria com uma mutação nunca vista: era resistente a quase todos os antibióticos conhecidos, e tinha vindo com o paciente da Índia. Para conseguir vencê-la foi necessária a colaboração de cientistas da Grã-Bretanha. No ano seguinte, em referência à sua origem, a enzima que tornava o micro-organismo quase imbatível foi batizada de New Delhi metallo-beta lactamase 1 — e o nome logo se transferiu à superbactéria, hoje conhecida como NDM-1.
Contra ela, os antibióticos têm pouco ou nada a fazer. É imune aos remédios chamados carbapenemas, usados para combater os micro-organismos mais resistentes já descobertos. Em 2010, ela já tinha viajado pela Europa, Austrália e Estados Unidos. Desembarcou no Rio Grande do Sul no ano passado e, em fevereiro, foi encontrada em dois pacientes em um hospital de Londrina, no norte do Paraná. O tratamento das infecções urinárias e de pele que ela causa é longo, caro e repleto de efeitos colaterais. Nos casos mais graves, não há nenhum antibiótico capaz de combatê-la. As doenças que ela causa levam à morte.
Essa batalha perdida pelos antibióticos já mata mais que a aids nos Estados Unidos – são 23 000 mortes anuais, ante 15 000 causadas pelo HIV. No país, os remédios existentes não conseguem combater dezessete tipos de micro-organismo, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Um relatório divulgado no fim de março pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que cerca de 500 000 casos de tuberculose em 2012 foram causados por bactérias super-resistentes em todo o mundo. Até 2015, os casos podem ser 2 milhões. Ou seja, milhões de pessoas podem adoecer como se estivessem no início do século XX, antes da descoberta do primeiro antibiótico.
"Atingimos um ponto em que não há tratamento para bactérias tão resistentes. Todas as drogas disponíveis não funcionam e, se alguém estiver infectado com uma delas, vai morrer", diz Caetano Antunes, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e um dos maiores especialistas no Brasil no estudo de antibióticos. "Vamos voltar à Idade Média, quando tratávamos doenças de pele com amputações."
As superbactérias — O alerta para o fim da eficácia dos antibióticos foi soado em setembro do ano passado por Tom Frieden, diretor do CDC americano. "Se não tomarmos cuidado, logo estaremos em uma era pós-antibióticos. Na realidade, alguns pacientes e micróbios já estão nela", afirmou em uma conferência sobre organismos multirresistentes. O cenário, no entanto, inquieta imunologistas e médicos em todo o mundo há pelo menos dez anos, quando a primeira bactéria KPC foi identificada nos Estados Unidos. Trata-se de uma versão resistente da bactéria Klebsiella pneumoniae, que pode causar pneumonia e infecção urinária. A preocupação surgiu porque cerca de 20% das contaminações pela KPC podem não ser vencidas por nenhum antibiótico. Ou seja, ela causa uma infecção simples, imune a grande parte dos remédios conhecidos. De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde, a bactéria matou 106 pessoas em 2010 e 2011 no Brasil.

Staphylococcus aureus: presente na pele, a bactéria foi a primeira a resistir aos antibióticos e hoje, em sua versão superbactéria, desafia os cientistas (Thinkstock)

 
 
 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Dia 02 de Abril – Dia Mundial pela Conscientização do Autismo.

Hoje comemora-se o Dia Mundial pela Conscientização do Autismo. Vários monumentos ao redor do mundo estarão iluminados na cor azul, cor escolhida pela ONU, em 2008, para marcar a data, numa alusão ao fato da incidência da Síndrome ocorrer mais em meninos do que em meninas (com prevalência de 4 meninos para 1 menina).
Nos três primeiros anos após a instituição da data, observamos manifestações ainda tímidas e sem grandes proporções em nosso país. De 2011 para cá, o “Dia do Autismo” cresceu  em um efeito dominó, fazendo com que estados e cidades do Brasil se espelhassem umas nas outras, promovendo eventos, caminhadas, corridas, palestras e seminários, transformando a data em uma verdadeira profusão AZUL!
 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Descoberta da origem da cor do capim-dourado pode levar a novos testes de diagnóstico de doenças, como Aids e hepatite

Em bijuterias ou cestas artesanais, o brasileiro capim-dourado (Syngonanthus nitens), planta típica do Jalapão (Tocantins), atrai a atenção de compradores de todo o mundo encantados com seu brilho semelhante ao do ouro. A coloração que atrai consumidores também desperta o interesse de pesquisadores.

Empenhados em descobrir o que gera a cor dourada da planta, físicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) conduziram uma série de análises sofisticadas até conseguir uma resposta. A procura não só deu certo como também abriu caminho para novas e inusitadas aplicações do vegetal.

O capim-dourado só apresenta essa coloração quando está seco. Por isso, os pesquisadores analisaram a planta seca com microscopia eletrônica em busca de pistas. O primeiro teste, que procurou pela presença de metais que pudessem conferir a tonalidade dourada, não deu em nada. Então os físicos partiram para uma análise da geometria do vegetal.

“Na natureza existem outros materiais que refletem luz dourada, como asas de borboletas, por exemplo, onde o que gera a cor são estruturas na superfície das asas, pequenas escamas que fazem com que a luz brinque e seja refletida dessa forma fantástica”, explica um dos autores do estudo, o físico Wido Schreiner.

Mas as análises não revelaram esse tipo de estrutura no capim-dourado, que mostrou ter uma superfície bem lisa – o que explica seu brilho, mas não sua cor. Os resultados começaram a fazer sentido quando os pesquisadores resolveram estudar os componentes químicos da planta. Foi quando descobriram que o capim-dourado contém flavonoides que interagem de modo especial com a luz do Sol.

Matéria-prima nacional


“Observamos que esses flavonoides absorvem o espectro luminoso do azul, do violeta e do ultravioleta”, explica Schreiner. “Quando a luz branca, que contém esses espectros, incide sobre o capim, os flavonoides absorvem essas cores e sobra o espectro avermelhado, que gera a cor dourada.”

Em bijuterias ou cestas artesanais, o brasileiro capim-dourado,
planta típica do Jalapão, no Tocantins, atrai a atenção
de compradores de todo o mundo encantados
com seu brilho semelhante ao do ouro.
(foto: Marcus Quito/ Flickr)


A resposta abriu a possibilidade de uso dos flavonoides do capim-dourado em um campo totalmente inusitado. A capacidade de absorção de luz da substância pode ser aproveitada para fabricação de testes para o diagnóstico de variadas doenças, como Aids e hepatite.

Nesses testes, proteínas do microrganismo causador da doença são inseridas em uma gota de sangue do paciente para saber se este está infectado. Se ele já teve contato com a doença, terá anticorpos específicos para ela, e estes se ligarão às proteínas, atestando que a pessoa está infectada.

Para detectar essa relação entre proteínas e anticorpos, os laboratórios adicionam às proteínas moléculas fluorescentes que se destacam ao microscópio. Hoje, as moléculas fluorescentes usadas no país são importadas de empresas multinacionais, mas poderiam ser substituídas pelos flavonoides do capim-dourado.

“Temos a chance de ter um produto nacional, natural e de fácil acesso”, diz Schreiner, que começa agora a estudar essa possibilidade de aplicação juntamente com pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Diagnósticos para a Saúde Pública.

“O capim-dourado é uma planta nacional que poderia servir de matéria-prima. Muitos cientistas se preocupam mais em estudar coisas de fora que do próprio país; com esse estudo, nós destacamos a importância de dar valor ao que é genuinamente brasileiro.”


Sofia Moutinho

Ciência Hoje/ RJ

Texto originalmente publicado na CH 312 (março de 2014).

quinta-feira, 20 de março de 2014

Cientistas sul-africanos mais próximos da vacina contra o HIV

Cidade do Cabo, 18 de março - Cientistas sul-africanos e colaboradores americanos descobriram novos anticorpos e sua potência no corpo humano contra o vírus HIV, deixando a pesquisa ainda mais próxima de uma vacina ou tratamento.

Há décadas, cientistas vêm lutando para encontrar uma vacina contra o HIV/AIDS, em grande parte devido à rapidez de evolução do vírus, que cria um número muito grande de variantes da espécie. Uma vacina eficiente deve orientar o corpo a produzir anticorpos neutralizadores, capazes de reconhecer e destruir as diferentes formas do vírus. Tais anticorpos são motivos de estudo de muitos cientistas e pesquisadores ao redor do mundo.

Os cientistas da África do Sul e seus colegas internacionais identificaram 12 anticorpos similares em um paciente sul-africano e observaram como eles evoluíram com o tempo para se tornarem efetivos e como seria possível duplicá-los em laboratório.

Os anticorpos atacam uma parte específica do vírus HIV-1, conhecido como V1V2. Esse trabalho oferece duas novas possibilidades de ataque ao HIV/AIDS: primeiramente, anticorpos clonados podem ser investigados como possível tratamento e prevenção para o vírus e, por fim, os conhecimentos adquiridos sobre a evolução dos sistemas de defesa do corpo oferecem pistas para um desenvolvimento futuro de vacinas, de acordo com Lynne Morris, chefe da seção de Virologia HIV do Instituto Nacional de Doenças Comunicáveis (NICD). Ela é co-autora do artigo que explica a pesquisa, publicado no prestigiado jornal Nature.

Os anticorpos foram isolados de uma voluntária conhecida como CAP256, e rastreados por um período de 4 anos anteriores. Pouquíssimos grupos de pesquisa tiveram acesso a amostras de sangue de um período tão longo, que foram mantidos no Centro de Pesquisas da AIDS na África (Caprisa), de acordo com a Dra. Morris.

Esses anticorpos especiais possuíam “braços longos”, que os tornavam capazes de penetrar a camada protetora do vírus HIV. Os cientistas observaram que os anticorpos da paciente já tinham essas ferramentas de combate alguns meses após a contaminação, e não foram necessárias mudanças em sua estrutura nos meses seguintes para o combate do HIV.

Pode, assim, ser possível o desenvolvimento de uma vacina que se baseia nesses anticorpos, disse a Prof. Morris. Os cientistas pretendem testar a vacina em macacos, provando se as defesas são capazes de prevenir ou tratar a infecção, de acordo com o co-autor do estudo e co-diretor do Caprisa, Salim Abdool Karim. Os cientistas esperam basear seus estudos nas descobertas de Dan Barouch, da Harvard Medical School, que mostraram uma única injeção de anticorpos humanos em macacos reduzindo o HIV a níveis indetectáveis em poucos dias.

O Prof Karim disse que a equipe espera poder combinar diversos anticorpos neutralizadores, assim como hoje em dia fazemos com drogas de tratamento. “Se existe um benefício no tratamento, imagine só o que podemos fazer. Poderíamos ter um paciente recebendo injeções a cada três meses e as doses de drogas antirretrovirais conforme necessário”, afirma.

Os testes em macacos serão realizados nos Estados Unidos, já que laboratórios na África do Sul não fornecem o suporte necessário. Somente caso os testes em animais sejam bem sucedidos, haverá o avanço para testes em humanos, de acordo com o Prof Karim.

O Ministro de Ciência e Tecnologia, Derek Hanekom, afirmou que o estudo ilustrou a importância da parceria internacional científica. O Ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi, elogiou a dedicação e a paciência dos pesquisadores sul-africanos. “Sem a paciência – assim que os estudos progridem nos entendimento do vírus e sua natureza – não seríamos capazes de compreender esse vírus tão complexo”, disse. Ele também menciona os pacientes que contribuíram com a pesquisa do HIV: “é claro que, mesmo conseguindo enormes avanços em laboratórios, o material humano sempre será o foco principal da pesquisa”.

Sobre a Brand South Africa

Brand South Africa, anteriormente conhecida como o Conselho Internacional de Marketing da África do Sul, foi criada em agosto de 2002 para ajudar a criar uma imagem de marca positiva e atraente para a África do Sul. O nome mudou oficialmente para melhor alinhar seu mandato de construir a reputação da marca da nação da África do Sul, a fim de melhorar sua competitividade global.

Fonte: Segs
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