segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Direito à Saúde e ameaças ao SUS são tema de seminário

Como ação de mobilização para a 15ª Conferência Nacional de Saúde (CNS) e com o objetivo de produzir uma avaliação crítica sistematizada dos possíveis efeitos e impactos da crise na área da saúde, a Fiocruz, em parceria com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), realizará na Uerj, no dia 24/11, o encontro O direito à Saúde e ao SUS sob ameaça? Impasses e Perspectivas. Para se inscrever, é preciso preencher o cadastro disponível no site do evento. 

A iniciativa busca promover o debate pré-conferência, ressaltar a importância da saúde como política social, analisar os riscos que a crise política, econômica e social pode trazer para a saúde pública e estimular o engajamento dos diversos setores da academia, movimentos sociais, estudantes, profissionais de saúde e formadores de opinião em geral nas questões relacionadas a manutenção e desenvolvimento do SUS.

Mais informações sobre o encontro podem ser obtidas no site ou pelo Fale Conosco do evento.

Confira abaixo a programação:

9h – ABERTURA: Paulo E. Gadelha / Presidente da Fiocruz

9h30 – MESA I – ANÁLISE DA CONJUNTURA DA SAÚDE COM ENFOQUE NOS PROBLEMAS HISTÓRICOS QUE AINDA NÃO FORAM SUPERADOS

Coordenadora: Nísia Trindade Lima, Vice-Presidente – VPEIC/Fiocruz
Gastão Wagner de Sousa Campos – Presidente da Abrasco e Professor da Unicamp
Nívia Silva – Movimento dos Sem Terra (MST)

Exposição de cada palestrante 30 minutos, seguido de debate com o público

14h – MESA II – ANÁLISE DA CONJUNTURA DA SAÚDE COM ENFOQUE NAS AMEAÇAS CONTEMPORÂNEAS

Coordenador: Valcler Rangel Fernandes, Vice-Presidente – VPAAPS/Fiocruz
Cornelis Johannes Van Stralen – Presidente do Cebes e professor aposentado da UFMG
Roberto Dutra Torres Junior – Diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da
Democracia do Instituto Nacional de Planejamento Econômico Aplicado (Ipea)
Luiz Bassegio (Coordenador Continental do Grito dos Excluídos e do projeto Direitos Sociais e Saúde)

Exposição de 30 minutos cada seguido de debate com o público presente.

17H – MESA DE ENCERRAMENTO:

Valcler Rangel Fernandes, Gastão Wagner S. Campos e Cornelis Johannes Van Stralen

SERVIÇO:

O direito à Saúde e ao SUS sob ameaça? Impasses e Perspectivas
Data: 24/11/2015
Horário: 9h às 17h
Local: auditório 113 da UERJ. Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ministério da Saúde lança Plano de Eliminação da malária no Brasil

O Brasil registrou, em 2014, o menor número de casos de malária nos últimos 35 anos, uma  redução de 76% no número de casos.

Com o objetivo de combater a malária e acabar com a doença no país, o Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (10/11), o Plano de Eliminação da Malária no Brasil. A medida faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em substituição aos Objetivos do Milênio. A meta é a redução de pelo menos 90% dos casos até 2030 e da eliminação de malária em pelo menos 35 países. Em 2014, o Brasil registrou o menor número de casos de malária nos últimos 35 anos (143.250 casos).

“O lançamento hoje do Plano de Eliminação e o reconhecimento que tivemos pela comunidade internacional nos últimos anos demostram o esforço do governo brasileiro em combater a malária. Isso prova que a doença não é negligenciada no país e que o Ministério da Saúde tem o compromisso, juntamente com estados e municípios, de continuar combatendo a doença”, ressaltou o secretario de Vigilância em Saúde, Antônio Nardi. Ele enfatizou ainda que, apesar dos bons resultados, as ações precisam continuar para que o Brasil possa, no futuro, alcançar a meta da total eliminação da doença.

O lançamento do Plano ocorre durante encontro técnico, em Brasília, que reúne líderes e especialistas do país. Na ocasião, também foi apresentada a Estratégia Técnica Global da Organização Mundial de Saúde para a Malária 2016-2030 (GTS). Aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde em maio de 2015 e resultado da consulta de peritos em todo o mundo, o documento fornece orientação técnica e um quadro de ação e de investimentos para atingir as metas de eliminação de malária.

O Plano brasileiro faz parte da estratégia de atingir as metas estabelecidas pelas parcerias internacionais no âmbito dos Objetivos do Milênio. O documento fornece a orientação técnica necessária para os municípios, define estratégias diferenciadas para o diagnóstico, tratamento, controle vetorial, educação em saúde e mobilização social.

A OMS estima 219 mil novos casos e 660 mil mortes por ano, em todo o mundo, principalmente em crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas.  “Essas metas propunham uma redução de 75% entre os anos de 2000 a 2015. Em 2014, conseguimos reduzir em 76% o número de casos”, ressaltou a coordenadora do Programa Nacional de Controle da Malária da SVS, Ana Carolina Santelli.

PRÊMIO INTERNACIONAL - O trabalho que vem sendo desenvolvido no Brasil é reconhecido internacionalmente. Na última quinta-feira (0/11), o Brasil recebeu o Malaria Champions of the Americas Award 2015, entregue ao Programa Nacional de Controle da Malária do Ministério da Saúde, na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), em Washington. Essa é a quarta vez que o país é premiado por seu esforço para reduzir os casos de malária.

O prêmio Malária Champions of the Americas Award reconhece organizações ou colaborações que usaram projetos inovadores para superar os desafios da malária nas Américas. O foco da premiação em 2015 foi os  programas de malária que contribuíram para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Anteriormente, os estados do Acre e do Amazonas já haviam recebido o mesmo prêmio.

CASOS NO BRASIL - A área endêmica da doença no Brasil compreende a região amazônica brasileira, incluindo os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. Esta região é responsável por 99% dos casos autóctones do país. Fora da região amazônica, mais de 80% dos casos registrados são importados dos estados pertencentes à área endêmica brasileira, de outros países amazônicos, do continente africano, ou do Paraguai. Desde 2000, tem havido uma redução de mais de 50% no número de casos de malária no Brasil.

Para definição do status de eliminação da doença, o Brasil utiliza metodologia da Organização Mundial da Saúde. Seguindo essa classificação, os municípios brasileiros foram divididos a partir da média da incidência parasitária de malária entre 2012 e 2014. Atualmente, o país apresenta um total de 5.113 municípios que se encontram em prevenção de reintrodução de casos de malária, 316 municípios em eliminação e 138 em controle. Para a malária tipo falciparum, 5.251 municípios estão em fase de prevenção de reintrodução de casos, 241 municípios em eliminação e 75 em controle.



Por Nivaldo Coelho, da Agência Saúde
Atendimento à Imprensa
(61) 3315-3315

terça-feira, 3 de novembro de 2015

LEUCEMIA: PESQUISADORES DA UFF E FIOCRUZ DESCOBREM MOLÉCULAS CAPAZES DE COMBATER A DOENÇA

Professores e bolsistas envolvidos na pesquisa
Foto: Jéssica Rocha
 
Grupo formado por professores e alunos da UFF, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), está pesquisando três moléculas capazes de combater a leucemia, o mais comum câncer do sangue.  Liderado pelos professores Fernando de Carvalho da Silva e Vitor Francisco Ferreira, do departamento de Química Orgânica, do Instituto de Química da UFF,  a equipe  vem trabalhando desde 2009 com as quinonas (substâncias orgânicas coloridas presentes na natureza) e buscando aprofundar o conhecimento de suas atividades biológicas, principalmente anticancerígenas.  O objetivo é investigar a atividade dessas moléculas frente a células leucêmicas.

Segundo Fernando Carvalho da Silva, o Grupo de Síntese Orgânica tem uma de suas linhas de pesquisa voltada para a busca de novos fármacos. “Nós sintetizamos moléculas de baixo peso molecular que tradicionalmente possuem funções responsáveis por determinadas atividades farmacológicas”. As naftoquinonas, por exemplo, têm propriedades microbicidas, tripanomicidas, viruscidas, antitumorais e inibidoras de sistemas celulares reparadores, processos nos quais atuam de diferentes formas.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o trabalho contou também com parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que fomentou a bolsa dos alunos de pós-graduação envolvidos na pesquisa. Além dos benefícios que vem trazendo para a universidade, como a propriedade intelectual em si, explica Carvalho da Silva, o trabalho serve para mostrar a sociedade, “que é quem nos financia, que estamos trabalhando na direção de melhorar a qualidade de vida das pessoas na busca de novos fármacos”. No entanto, vale ressaltar que este trabalho é apenas um embrião de um trabalho ainda maior, cujo objetivo é a descoberta de um novo medicamento. Neste sentido, a UFF vem dando toda a infraestrutura necessária para que trabalhos como este sejam realizados.

A pesquisa, que pode ser lida na íntegra acessando o link do European Journal of Medicinal Chemistry - http://dx.doi.org/10.1016/j.ejmech.2014.07.079 - ainda não serve de base para nenhum tratamento utilizado atualmente, pois, segundo o professor, “precisa vencer muitas etapas para que se torne um medicamento para combater a leucemia”. Entretanto, estamos formando recursos humanos voltados para a pesquisa e mobilizando alunos da UFF na execução do trabalho.”

O trabalho faz parte da tese de doutorado da aluna Mariana Cardoso, do Programa de Pós-Graduação em Química da UFF, que reuniu também as alunas da UFF de iniciação científica, Illana da Silva e Isabela Santos. Participaram os professores Maria Cecília Bastos Vieira e David Rodrigues da Rocha, ambos do departamento de Química Orgânica, do Instituto de Química da UFF.

Fernando de Carvalho da Silva ressaltou ainda que a pesquisa científica e tecnológica é um dos pilares para soberania nacional de qualquer nação. Segundo o professor, o Grupo de Síntese Orgânica produz muitos resultados importantes, que muitas vezes ficam restritos aos especialistas e não saem dos relatórios técnico-científicos e dos artigos científicos gerados. “Na maioria das vezes a sociedade não toma conhecimento do importante trabalho, a seu favor, que os pesquisadores e cientistas desempenham nas universidades e institutos de pesquisa. É neste sentido que a imprensa, como fazem agora, precisa atuar mostrando à comunidade que estamos trabalhando e zelando pelo bem estar comum”, concluiu.

A doença

A leucemia é uma doença maligna originada na medula óssea, local onde as células do sangue são produzidas. Os glóbulos brancos (leucócitos) são as células atingidas, que passam a se reproduzir de forma descontrolada, ocasionando os sinais e sintomas da doença, que se divide nas categorias mielóide e linfóide, de acordo com a célula envolvida.

Fonte: UFF

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Britânicos começam maior estudo da história sobre efeitos da aspirina no câncer

O serviço público de saúde da Grã-Bretanha vai iniciar o maior estudo já feito para analisar se a aspirina pode prevenir o retorno do câncer em pacientes que já tiveram a doença.
Cerca de 11 mil pessoas que tiveram câncer de intestino, mama, próstata, estômago e esôfago participarão do estudo.
O estudo é financiado pelo NIHR, o setor de pesquisas do serviço público de saúde britânico, e a instituição de caridade Cancer Research UK, voltada para apoio a pacientes e pesquisas sobre o câncer.
Na pesquisa, os participantes deverão tomar um comprimido por dia durante cinco anos.
Depois, os pesquisadores vão comparar grupos de pacientes tomando doses diferentes de aspirina com as pessoas que consumirão apenas um placebo, e checar se ocorre reincidência da doença.
Ao longo de 12 anos, o estudo será realizado em cem centros de saúde espalhados pela Grã-Bretanha e deve envolver pacientes que estão ou estiveram em tratamento para câncer em estágio inicial.
"Esta pesquisa é particularmente animadora porque cânceres reincidentes são, com frequência, difíceis de tratar. Então encontrar uma forma barata e eficaz para evitar isso pode ser decisivo para os pacientes", disse Fiona Reddington, médica da Cancer Research UK.
Cientistas alertam que a aspirina não é adequada para todos os pacientes e não deve ser usada sem receita médica.
Tomar o medicamento todos os dias pode provocar efeitos colaterais, como úlceras e sangramento no estômago e até no cérebro.
No entanto, algumas pessoas com problemas cardíacos já tomam doses baixas e diárias de aspirina como parte de seu tratamento.
Tem ocorrido, nos últimos anos, um grande debate a respeito das possíveis propriedades da aspirina no combate ao câncer.
"Há algumas pesquisas interessantes que sugerem que a aspirina pode retardar ou evitar o retorno do câncer em estágio inicial, mas ainda não houve um teste aleatório para fornecer a prova clara. Este teste visa responder esta questão de uma vez por todas", disse Ruth Langley, líder da pesquisa.
"Se descobrirmos que a aspirina impede o retorno desses cânceres, é algo que poderá mudar o tratamento no futuro - fornecendo uma opção barata e simples para ajudar a impedir a reincidência do câncer e ajudando mais pessoas a sobreviver."
Alex King, uma britânica de 51 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em dezembro de 2009 e recebeu os resultados dos exames confirmando que ela está, agora, livre da doença.
"Ter câncer foi uma das experiências mais difíceis de minha vida. Qualquer oportunidade de reduzir a chance de o câncer voltar é incrivelmente importante para que os pacientes fiquem mais tranquilos", disse.
 
 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Pesquisador da USP estuda uso de plástico de painéis solares na retina

Uma parceria entre a Universidade de São Paulo de São Carlos e o Politecnico di Milano está proporcionando descobertas que, no futuro, poderão beneficiar pacientes com doenças degenerativas na retina. Os pesquisadores descobriram que o polímero politiofeno, usado em placas solares, funciona também na água e em olhos de animais.
Segundo Paulo Barbeitas Miranda, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), os italianos estudam o material há anos e, em 2013, um aluno de doutorado de lá veio para o Brasil para realizar experimentos específicos. Começava a parceria.
“Esses materiais vêm sendo usados há muitos anos para células solares, eles absorvem muita luz e produzem cargas elétricas. Eles tiveram a ideia de ver se essa separação de carga ocorreria na água e viram que é possível deixar esse material imerso e disparar o funcionamento do neurônio”, contou.
Miranda afirmou que estudos sobre a aplicação de polímeros na retina, onde o estímulo luminoso é transformado em estímulo nervoso, são novidade e que, a princípio, os pesquisadores analisaram a absorção da luz e a comunicação com os neurônios, “os cabos elétricos do nosso corpo”.
Eles dispuseram o politiofeno em um suporte biocompatível e realizaram testes em ratos e porcos. “Há uma cegueira induzida, eles implantam e avaliam se há a sensibilidade à luz, e os estudos preliminares mostram que sim”, contou.
Outra vantagem do material, explicou o professor, é a maleabilidade. “O fato de ser flexível é importante. O olho é redondo, o material tem que se moldar, não seria possível com placas de silício, por exemplo”, disse, reforçando que ainda há um caminho a ser percorrido.
“Tem uma tecnologia a ser desenvolvida para ser mais durável e mais seguro. Ele precisa ser testado exaustivamente em animais e, uma vez comprovado, há os testes em voluntários com autorização das agências avaliadoras”, pontuou. “São passos caros e demorados, mas a potencialidade é grande”.
A intenção, ao final, é chegar a um filme fino, capaz de ser depositado na retina em casos de degeneração de fotorreceptores. “Vai substituir a parte que absorve a luz, não a parte neurológica”, adiantou.
“Do ponto de vista científico, há desafios: estudar o processo de comunicação elétrica entre o polímero e os neurônios, aprender a conectar melhor os dois, desenhar outros polímeros, projetar outros materiais”.
 
Paulo Barbeitas Miranda, professor do Instituto
de Física de São Carlos
 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

'Engenharia genética pode fazer porcos doarem órgãos para humanos'

Um método de modificação de genes pode um dia tornar órgãos de porcos adequados para uso em pessoas, de acordo com cientistas.
George Church e seus colegas usaram uma técnica chamada Crispr para alterar o DNA de células de porco e torná-las compatíveis com humanos.
O trabalho preliminar, publicado na revista científica Science, trata de preocupações sobre possibilidade de rejeição e infecção por vírus presentes no DNA do porco.
Se esse problemas forem resolvidos, a técnica pode ser a resposta para os baixos índices de doação de órgãos.
Mas serão necessários mais anos de pesquisa para que porcos geneticamente modificados possam ser criados para abrigar órgãos que serão usados em pessoas.
O Crispr é uma ferramenta científica relativamente nova que permite que cientistas rearranjem códigos de DNA.
Church, da Universidade Harvard, usou a técnica para desativar retrovírus endógeno que reside no DNA do porco.
Este retrovírus suíno é perigoso porque pode infectar células humanas - pelo menos no laboratório.
Em testes com jovens embriões de porcos, Church conseguiu eliminar todas as 62 cópias dos retrovírus das células de porco usando a técnica Crispr.
Em seguida, ele checou se as células modificadas ainda transmitiriam com facilidade o retrovírus para as células humanas. Isso não ocorreu, embora ainda tenha havido uma pequena taxa de transmissão.
Church afirma que a descoberta traz grandes esperanças para o uso de órgãos de animais em humanos - o que os médicos chamam de xenotransplante.
Sarah Chan, especialista da Universidade de Edinburgo, disse: "Mesmo depois que as questões científicas e de segurança forem resolvidas, ainda deveríamos considerar possíveis preocupações culturais e impactos sociais associados a um uso disseminado de órgãos de porcos para transplante humano".
"Apesar disso, o resultado do estudo é valioso tanto como prova deste princípio como um possível passo para avanços terapêuticos nesta área, que ainda precisa de bastante pesquisa."
 
 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O mistério da geleira que cresceu enquanto todas as outras encolhiam

Em tempos de aquecimento global, a geleira de Belvedere, que lambe as portas do vilarejo de Macugnaga, no norte da Itália, é um caso raro: durante quatro anos, ela se expandiu, enquanto seus vizinhos encolheram.
Embora tenha ocorrido há mais de dez anos, entre 2001 e 2004, o fenômeno modificou a paisagem da região e ainda intriga pesquisadores.
"De alguma maneira a água entrou na geleira através de fendas e, por causa de uma espécie de efeito lubrificante, se espalhou, levando à expansão", afirma o glaciologista Gianni Mortara, do Conselho Nacional de Pesquisa italiano.
Um dos mistérios é que, mesmo após parar de crescer, a geleira segue um ritmo de descongelamento bem mais lento que o registrado na região – nos Alpes suíços, por exemplo, o intenso degelo tem revelado restos mortais de alpinistas desaparecidos há décadas.
A Belvedere é uma das formações analisadas pelo programa europeu Glaciorisk, que avalia os riscos das principais geleiras dos Alpes. Cientistas instalaram estações meteorológicas, câmeras e aparelhos para capturar e estudar seus movimentos.
A geleira está localizada aos pés do Monte Rosa, a montanha mais alta da Itália e a segunda dos Alpes, com 4.634 metros de altura.
Seu súbito crescimento, iniciado em 2001, assustou a pequena Macugnaga. O gelo avançava a uma média de cem metros por ano rumo ao vilarejo, contra os 40 metros históricos, superando as encostas laterais.
No topo do glaciar, a aceleração era ainda maior – chegava a 200 metros anuais –, por causa da inclinação.
Quando o fenômeno chegou ao fim, em 2004, deixou entre suas heranças um lago de 150 km² e 57 metros de profundidade.
Com seus quase 3 milhões de metros cúbicos de água, ameaçava transbordar e inundar a região, levando pesquisadores e engenheiros a escavar saídas artificiais para esvaziar essa espécie de represa natural.
Durante o processo, os cientistas lançaram produtos químicos não poluentes na água para ver onde ela iria parar. Em quatro dias, essas substâncias foram identificadas nos riachos Fontanone e Anza. Em menos de dois anos, parte do volume foi transferido aos dois córregos.
Hoje, há apenas um chão de pedras no local onde o lago se formou. Ou, nos dias de chuva, uma grande poça de lama.
 
 
 
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